quinta-feira, 1 de maio de 2008

Tradicional...

Achega-se a queima das fitas, momento estelar da vida universitária de Coimbra. Para a praxe, há dous momentos que marcam o ano lectivo, o primeiro é a festa das latas ou latada, que conmemora a entrada d@s nov@s estudantes na universidade. Há um pequeno cortejo onde @s caloir@s vam disfarçadas polos respetiv@s padrinhos e madrinhas e acaba num baptizado no rio Mondego (polo medio, claro, litros e litros de alcol e umha semana de concertos).


O segundo momento e o máis importante é a Queima das Fitas, que serve de despedida ás persoas que saem da universidade. É outra grande festa (realmente a cidade sofre um boom de actividade económica durante esas noites) que dura por volta de umha semana e algo mais e que serve dumha especie de grande entroido no que a gente aproveita para se descontrair até limites que roçam a estupidez em muitos dos casos. Toda esta festa mascara a etapa de maior actividade da praxe


Como dicia antes (ainda tenho que falar de moitas cousas antes de contar-vos o de ontem) estas duas festas marcam o calendario praxistico. @s caloir@s, persoas que estam no seu primeiro ano de universidade, nom tenhem dereito a vestir uniforme académico até a sua primeira queima das fitas e, umha vez que o vestem, já nom podem ser praxados. Até entom, estám ás ordes d@s mais velh@s. Isto abre um grande abano de posibilidades: desde a broma simplesmente anecdótica e simbólica até o maior abuso de poder (ano pasado houve denuncias ante a policia porque a um deles lhe rasgaram o escroto quando lhe estavam a rapar os pelos púbicos e, reconheçamos, que umha miuda de 18 anos que acaba de chegar com toda a sua timidez adolescente à universidade tenha que fingir umha mamada a um colega de clase em plena rua... nom é muito normal).


Nom dubido que há persoas que adirem esta tradiçom e que levam todo isto na boa sem grandes injustiças (sendo umha hierarquia arbitrária e abusiva e nom concordando com ela), mas acho que esas mesmas persoas demonstram umha falta de responsabilidade alarmante quando nom protestam nem fam relativamente nada contra os abusos cometidos por outr@s que so podem ser definidos como torturador@s. É a vosa tradiçom, nom basta com dicer “iso nom é praxe” tedes que deixar de ser permisivos com os abusos... ou é que se calhar “iso é praxe”?


Mais tradiçons: as “troupes”. Grupos de praxados que patrulham pola noite a alta de Coimbra procurando caloir@s fora da casa depois das 12 da noite. Tenhem capacidade para castigar batendo cumha culher de pau (umhas culheres grandes que eles tenhem) ou cortando o cabelo do infrator ou infratora. Isto pode parecer irreal, sobre todo para @s estrangeir@s que nom temos contacto com estas “práticas”, mas é certo. De caminho a faculdade de letras tenho que pasar por ruas da alta, e em certas épocas é fácil atopar feixes de cabelo no chao.


Onte, e por fim vou ao conto, encontrei algo parecido pola rua. Voltaba para casa depois dum partido com outros quatro colegas e pasamos por diante da porta férrea (a porta que da a “Via Latina” o pátio que está entre a reitoria, o senado universitário e a faculdade de dereito e um dos pontos simbólicos da praxe). Diante da porta, agarrado a ela como se fose a “casa” dum jogo de pícar@s, um rapaz de rastas. A uns metros, um grupo de cinco ou seis praxistas. Pensei que seria umha troupe e achegueime ao rapaz com a intençom de lhe perguntar se estaba bem e oferecer-lhe a nosa “escolta” se queria sair daí (metía-se no meio dos cinco e nom creio que ningum dos praxistas tivese valor para facer nada). “É um julgamento de praxe” “ E queres
ajuda para sair daquí?” “Nom, esta-se bem” Ok. Perfeito.


Fomos para casa e despois tomar-lhe umhas cervejas. Por volta de duas horas mais tarde voltei a ver ao rapaz: acompanhado por dous praxistas, facendo eses polo caminho e com o cabelo completamente trasquilado. Nom me reconheceu, estaba completamente bébedo. Era por volta da umha da noite.


O mais doloroso? Pensar que, dentro de um ano, este rapaz estará facendo o mesmo ou se calhar pior... porque estas tradiçons som autoalimentadas de medo, humilhaçom, ódio e grandes quantidades de represom, social e sexual.


De resto? Soportar a queima como melhor se poida (comeza este venres, coido) já que este ano nom vou poder “fugir” da cidade. Ir ao concerto de Gabriel o Pensador, se calhar. Comprar tapóns para os ouvidos para poder durmir e plantar cara aos/às que queiram mexar no meu portal (este ano vou estar com potas de auga em todas as fiestras... que pasa? Que só se divirtem el@s?). E suportar este dia antes da queima: como @s praxistas deixam de poder praxar despois do venres, aproveitam as últimas oportunidades que lhes restam...

Por certo: o rapaz das rastas podia ter-se salvado com só dizer “Nom, obrigado, paso das vosas tradiçons. Som anti-praxe”. Que lho impediu? A presom social e a tradicional estupidez universitária. Digo eu.

4 comentários:

Ima disse...

q noxo...


pero tampouco é de estrañae coa pouca memoria que ten a xente. moit@s véndese por unha presa de litros de alcol...

e de tod@s é sabido, q até @ máis anti-praxe, se embebeda na queima á conta d@s praxistas...


meu pequeno, moitos biquiños desde lermolandia!

busto.agolada disse...

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Arredista disse...

A verdade é o ano pasado quedei abraiado com todo o que nos explicachedes da praxe e co ambiente que habia pola rúa, deume muito noxo ouvir todo eso.
O q me doe é q a juventude de hoje em dia siga caendo nese tipo de tradiçóns.
Antuan leva com calma a queima da fita e atura aos "tunos" (q ilusos eramos cando chegabamos a Coimbra) do melhor xeito posibel.
Um anti-praxe da Galiza do norte

Antuán disse...

O problema nom é que se "vendam" por uns litros de alcol, o problema é a superficialidade de todo isto. Absolutamente ninguem tem ideia de estar a vender qualquer cousa.

Ou iso ou é que se calhar a Queima actua como umha válvula de escape e de "irreverencia" (como já lhe tenho escoitado a mais de um/umha) (por suposto que é irreverente!!! Vai contra moitas leis e até contra os Dereitos Humanos!!!), umha maneira de ter controlados aos/às estudantes e facer dinheiro a conta del@s.

Nom sei, suponho que é umha mestura de varias cousas e perfumada com teorias debordianas (algúm dia acabarei de ler-lhe o libro... com todo o que o cito!!). O pior nom é a superficialidade dionisiaca (gosto de festas como quem mais), pior som os abusos que tens que ver...

Obrigado Arredista e Ima por pasarem por cá.