terça-feira, 14 de outubro de 2008

Gregor and I

Duas figuras passeiam perto das docas de Faro. As suas gabardinas, chapéus e óculos escuros demonstram que querem passar desapercebidas. No fundo, o sol mergulha nas águas da ria Formosa. A figura da direita, uma enorme cascuda, ajeita-se mal a andar de gabardina e sobre duas patas, mas leva os óculos com alto estilo. É ela a primeira a falar.


- Assim que saes da casa. Lástima. Foram umas semanas vibrantes. Lembras os primeiros dias?

- Si: montar toda a tralha, encontrar formigas, acabar com elas e despois descobrir-te a ti.

-Pois, as formigas nom se podem comparar… elas nom som uma raça superior – a figura da direita contrai uma das suas patas com ar dramático.

- Quando te pós desse modo dás medo… Isso, as primeiras batalhas. O ataque com químicos, a chamada do desbaratizador.

- Isso foi uma boa jogada. Pensei que demorarias mais em chama-lo. Mas nom duvidas-te e… aí, com ataques profissionais á primeira ocasióm… E depois toda essa teima da limpeza… puses-te as cousas difíceis, a verdade. Nom sei que dizer. Acho que nom deverias ir embora. A cousa nom acaba mais que começar, e por agora levas as de ganhar. E chega o inverno, que joga ao teu favor…

-Nom te enganes, isto nom é por ti. Claro que ajudas, nom te quero subestimar. Es uma criatura realmente nojenta…

-Oh, obrigado. Mas nom me tens por que adular, já há confiança…

- Som os donos da casa, essa mistura entre forretas horríveis e seres vindos de outra galáxia. E essa bicefália tam difícil de aturar… e os pequenos detalhes… nom tinha a mais mínima confiança neles. E, quando houver um problema grande (e nom quero dizer que tu nom o sejas) nom iam responder. É melhor deixar a casa agora e, pelo menos, salvar a fiança.

-Tê-la de volta?

-Nem de conha, mas foi a que usei para pagar o último mês. Eles nom pensavam devolve-la… Menudos bichos.

-Eh, sem faltar.

-Desculpa. Pois isso, agora a procurar casa ou quarto por aí. Outra vez.

(silencio)

-Sabes? A nossa loita particular ia ficar moi interesante. Ia deixar que te confiasses para te atacar com força.

-He!. Eu ia gastar parte do dinheiro de Novembro para encher a casas de trampas e tapar todas as ventilaçons com tecido especial. E fumigar 1 vez a semana.

-Mas eu ia estar aí em Setembro. Sempre. Tomando conta da casa. Aguardando depois das tuas ferias…

-E eu ia contratar um fumigador ao ano.

- Isso é o que digo. Que a cousa estava interessante. Pode que me acabasses matando, se calhar acabava eu contigo… eras um rival á altura. Algo mais que isso. Se calhar um oposto. Uma némese, um …

-Já chega de identificaçons, Gregor.

-Nom suporto quando a gente entra em pânico e recusa batalhar, ou quando simplesmente passam do tema e se acostumam…

-Podes crer que nom ias ganhar…

-Nom chegara ás tácticas psicológicas: Ia meter um dos meus melhores e maiores homens na tua almofada.

-Que duro. Eu pensava martirizar-te com músicas mexicanas sobre a tua espécie.

-A versom da marijuana?

-Nom, na que estás tulhida das traseiras.

-Ouch! Sabes o que? Vou-te botar em falha. Porquê nom me das o teu novo endereço, quando o tenhas, e vou-te fazer uma visita?

-´tá calada.

- Porque nom? Sabes? Isto pode ser o começo duma…

- Nem de conha.


As figuras perdem-se pelas ruas da baixa, a passo lento.

1 comentário:

Beatriz Pérez disse...

jajaja! mas acredita que isto non vai quedar así, pode que ganhases uma batalha, pero nom a guerra..gregor ha de atoparte..